Assistindo a um “gol a gol” na sportv, tive uma série de flashbacks e fui para, literalmente, dentro da minha infância – tenho apenas 30 anos mas parece que o futebol que se jogava nos anos 80 era simplesmente outro futebol.
Li em algum lugar o Dráuzio Varella dizendo que um dia lembraremos do tempo em que se fumava em bares com a mesma estranheza com que hoje lembramos que se fumava dentro de aviões…
Outro dia fiquei admirando o cinzeiro do banheiro de uma ponte aérea, talvez um pouco assustada com o fato de ainda voarmos em aviões daquela época – de fato remotamente distante na minha cabeça…
Bom, foi bem assim que me senti ao acordar esse domingo com o Léo Batista narrando gols, e ver em campo diversos jogadores comemorando sem camisa, as torcidas ecoando livremente gritos literalmente de guerra, garrafas de cerveja e refrigerante virando armas e voando pra dentro do gramado.
É, leitor mais jovem, há pouquíssimo tempo se bebia cerveja de garrafa dentro dos estádios! E não havia cartão amarelo compulsório para quem extravasava numa comemoração….dentre outras cositas más…
Espero apenas que um dia a gente possa lembrar, sem nostalgia, de hoje em dia….um tempo, então remoto, em que os juízes não utilizavam meios eletrônicos para melhorar o apito, tempo em que estranhamente passou a se punir jogador alegre com cartão, tempo em que se tinha dúvidas em se expulsar jogador que dava carrinho, tempo em que nosso calendário era bizarramente diferente do resto do mundo – tempo em que nosso campeonato era dividido em pré-janela e pós-janela européia, tempo de servidão inglória ao mercado.
Por que o futebol – em sua organização e regras – parece andar sempre num ritmo mais lento do que os outros esportes?
Originalmente postado em 9 de agosto de 2009
terça-feira, 11 de agosto de 2009
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